Como ponto de partida, pretendo apresentar a definição de profeta, sua missão e como é chamado a atuar na sociedade.
O dicionário Aurélio diz: “Profeta é uma pessoa capaz de prever o futuro”. Será essa a visão que a bíblia nos apresenta? Certamente não é só isso. A visão do Antigo Testamento apresenta pelo menos três termos em hebraico que traduzem a palavra profeta. São eles:
NABHI: Tem o sentido de “declarar, anunciar, falar por, representar”. O profeta era “porta-voz especial de Deus”.
RÕEH: Tem o sentido de “vidente, aquele que vê”. O profeta podia penetrar no futuro e revelá-lo.
HÔZEH: Tem o mesmo sentido de “alguém que vê”.
No Novo Testamento o profeta é aquele que fala aos homens para edificar, exortar, consolar (1Cor 14.3,29-32; Ef 4.11-13). Também no Novo Testamento Jesus é a personificação maior de todos os profetas, o que não exclui sua divindade. Com isso quero dizer que é nele que a revelação se completa e por ele que Deus se revela ao mundo.
Enfim, pode-se dizer que profeta é aquele que fala em nome de Deus. Para falar em nome de Deus o profeta alimenta em seu interior a relação íntima com este mesmo Deus que ele anuncia aos homens.
O profeta é aquele que discerne à luz do Espírito, deixando-se purificar por este mesmo Espírito que o move em direção ao outro. E hoje, o que vem a ser profeta em nossa sociedade? Profeta é aquele que experimenta a presença de Deus no meio do povo e a ela se rende (Is 52,6; 58, 9; 65,1). Está junto as necessidade e atento às realidades presentes.
O profeta é aquele que conduz o povo na sociedade já cansada da opressão e que clama como o povo clamou no deserto: “Que havemos de beber?” (Ex 15,24). O profeta denuncia as injustiças; ele ajuda as pessoas a enxergarem o sistema que marginaliza e oprime suas vidas. Através do profeta a comunidade visualiza o pobre, enxerga-o não como uma simples pessoa que necessita apenas de bens materiais, mas do respeito, da solidariedade e da dignidade humana. É aqui que aparece a importância da ação do profeta. Ele não só denuncia os erros, nem só estimula o povo para a solidariedade, mas também anuncia a certeza central da fé: Deus está em nosso meio! Ele ouve nosso grito! Desse modo o profeta contribui para que apareça no povo uma consciência de que não precisa unicamente de um sistema, mas da força que traz em seu interior e que precisa ser despertada.
Portanto é preciso ir em frente, avançar. A sociedade faz parte de nossa vida e como tal é preciso que cada um de nós assuma o papel de profetas de um novo, despertando nas pessoas a presença de Deus que está constituindo-as povo escolhido por Ele.